terça-feira, 19 de outubro de 2010

O ser humano não tem uma natureza, mas sim uma história.

     A verdade é que o comportamento, no homem, não deve à hereditariedade específica o mesmo que o comportamento animal deve. O sistema de necessidades e de funções biológicas legado pelo genótipo aparenta o homem no momento do nascimento a todo o ser animado sem o caracterizar, sem o designar como membro da 'espécie humana'. Em compensação, esta ausência de determinações particulares é perfeitamente sinónima de uma presença de possíveis indefinidos. A vida fechada, dominada e regulada por uma 'natureza dada' é substituída aqui por uma existência aberta, criadora e ordenadora de uma 'natureza adquirida'. Assim, sob a acção das circunstâncias culturais, uma pluralidade de tipos sociais, e não um só tipo específico, poderia aparecer diversificando a humanidade segundo o tempo e o espaço. O que a análise, mesmo das similitudes, retém de comum nos homens é uma estrutura de possibilidades, na verdade de probabilidades que não pode passar ao ser sem contexto social, qualquer que ele seja. Antes do encontro de outrem e do grupo não é senão virtualidades tão leves como o vapor transparente. Toda a condensação supõe um meio, isto é, o mundo dos outros"
L.MalsonLes Enfants Sauvages. Paris, 10/18, 1964, pp.7-9 trad. port., apud Filosofia, MEC, 1975

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