quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A neotenia


"Blanc escreve:
"S.J.Gould lembrou corretamente, em 1977, em um importante livro, Ontogeny and Phylogeny, que o homem difere do chimpanzé por um forte retardamento em seu desenvolvimento. Com efeito, é preciso saber que o homem e o chimpanzé passam pelas mesmas etapas durante o desenvolvimento pós-natal, e um feto de chimpanzé lembra bastante um feto humano. Após o nascimento, o bebê chimpanzé evoca ainda fortemente o bebê humano. Porém, conseqüentemente, as diferenças morfológicas tornam-se importantes, e um chimpanzé adulto lembra apenas remotamente um ser humano... Os biólogos empregam o termo neotenia para designar este fenômeno de fetalização, ou mais exatamente de juvenilização. Outros exemplos de neotenia são conhecidos no reino animal... no homem ela fixou-se definitivamente no patrimônio genético da espécie... De fato, é provável que o surgimento do homo habilis...tivesse correspondido a uma mutação dos genes de regulação do desenvolvimento, que teve como efeito retardar consideravelmente a totalidade do desenvolvimento pré e pós-natal. Podemos comparar sua importância comparando o homem atual e o chimpanzé. A ossificação no recém-nascido humano está muito atrasada em relação à observada no bebê chimpanzé(os dedos e as extremidades dos ossos são ainda cartilaginosos no nascimento). O bebê humano começa a andar por volta dos 10-12 meses, enquanto que o bebê chimpanzé começa a mover-se por si mesmo em torno dos 6. O pequeno humano ganha seus primeiros dentes apenas entre 6 e 24 meses, contra 3 e 13 meses no chimpanzé. A idade da puberdade é atingida aos 13 anos na espécie humana, contra 9 no chimpanzé. O período de crescimento não pára antes dos 20 anos no homem, contra 11 no chimpanzé. (Este último tem uma estimativa de vida mais ou menos de 45 anos, contra 75 anos para o homem atual.) Uma outra diferença capital entre o desenvolvimento do homem atual e o do chimpanzé diz respeito à velocidade de crescimento do cérebro: no recém-nascido humano, o cérebro representa apenas 23% do peso que atingirá na idade adulta, contra 40% no recém-nascido chimpanzé. Em outros termos, o cérebro continua a crescer após o nascimento, em proporções bem mais consideráveis no homem que no chimpanzé."

Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Maurício Marx e Silva (e outros)

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